A realidade do trabalho infantil

Esquecer da infância para trabalhar como adulta é a realidade de muitas crianças no país e no mundo. Mesmo todas elas sendo proibidas de realizar qualquer tipo de trabalho por vontade ou por obrigação até os seus 16 anos de idade, exceto na condição de aprendiz a partir dos 14 anos, infelizmente, encontrar criança trabalhando não é uma situação inusitada e nem é uma novidade.
A ocorrência do trabalho infantil é constante em diversos lugares do mundo, tornando-se um problema global e um dos principais desafios que precisa ser enfrentado. No Brasil, apesar de legalmente existir leis que proíbam este tipo de trabalho, essa mão de obra barata acontece em diversas regiões e setores, somatizando um total de quase três milhões de crianças (dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios – PNAD).
Os primeiros relatos de trabalho infantil no Brasil ocorrem na época da escravidão, intensificando-se no início do processo de industrialização. Em outros países como Inglaterra, França, Bélgica, Estados Unidos, no século XIX já apresentavam altas taxas de crianças trabalhando nas indústrias. Hoje, o leque da exploração de crianças é ainda maior, sendo possível encontrá-las em carvoarias, matadouros de animais, agricultura, tráfico de drogas, prostituição, etc.
Contudo, as conseqüências do trabalho infantil geram marcas muitas vezes irreversíveis na vida da criança. Assumir responsabilidades quando seu tempo deveria ser dividido entre o lazer e a escola provoca reflexos agravantes. Muitas delas quando não deixam de estudar para apenas dedicar-se ao trabalho, as horas insalubres na vida de uma criança afeta seu pleno desenvolvimento em sua fase inicial e a vida escolar fica comprometida, gerando efeito negativo sobre a aprendizagem.
Dentre as causas determinantes para a questão do trabalho infantil, podemos ressaltar: a necessidade de estas crianças ajudarem financeiramente a própria família, que geralmente são pessoas que vivem abaixo da linha da pobreza; a falta de fiscalização rigorosa, principalmente em regiões mais pobres onde há pouco recurso e mínima fiscalização quanto ao caso, tornando o trabalho bem comum; a escolaridade dos pais; o tamanho e a estrutura da família; as escassas oportunidades aos chefes de família; situação habitacional e educacional precária, enfim.
Diante desta realidade, faz-se urgente proteger a criança do trabalho precoce. Desenvolver ações preventivas junto à família, escola e comunidade aliado a uma política social que dê igualdade de oportunidades para todos é um dos primeiros passos para a erradicação desse abuso que mantém raízes profundas na história. Uma ação integral que diminua a pobreza do país é essencial. Essa conclusão é obtida mediante a realidade de que filhos de professores, advogados, médicos e, em geral, da população de classe média não trabalham na infância. Ou seja, o aumento da renda dos chefes de família reduz a probabilidade de uma criança trabalhar e aumenta a de que ela estude.
Em países subdesenvolvidos, como o Brasil, a ocorrência de exploração do trabalho infantil é mais comum, entretanto, “mais pobre é o país que depende dos calos de suas crianças para sobreviver”, como afirmou Renato Mendes, da Organização Internacional do Trabalho – OIT, num programa televisivo. Abolir a mão de obra infantil da realidade mundial é uma necessidade moral, pois a vida de uma criança não pode ser corrompida, comprometendo a realização de todo seu futuro. A criança tem o direito de viver a sua fase presente, pois “a única coisa que ela pode fazer por ela mesma e que nós não podemos fazer é ser criança”, assim frisou Renato Mendes.

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