Criança x Criança


Assim como uma criança aprende a ser carinhosa e educada ela também pode aprender a ser violenta. As ações cometidas por uma criança ou um adolescente, na maioria das vezes, são reflexos do meio em que eles estão inseridos. Criança vê, criança faz! Isso se percebe claramente através da mídia, que divulgam várias notícias nas quais apresentam crianças e adolescentes se agredindo. No entanto, o fato dessas situações tornarem-se rotineiras, não pode ser vista e aceita pela sociedade como algo natural, tendo em vista que a infância e a adolescência são as fases mais importantes na formação humana.
Com a tecnologia tão acessível, crianças e adolescentes têm grande influência a realidades, estilos, e formas de comportamentos, todavia estudos comprovam que a internet ou a mídia não são os principais responsáveis pela violência infanto-juvenil, mas sim os pais violentos, ou ainda, os pais que não colocam limites nas atitudes de seus filhos.
Existe uma agressividade normal entre crianças e adolescente, contudo, há uma anormalidade inserida na sociedade de que todo o ato violento infanto-juvenil seja algo que não deva ser encarado com tanta seriedade ou atenção. Mas, basta entrar em uma escola infantil ou ficar poucos minutos em um playground que você observará algum ato violento entre as próprias crianças e adolescentes.
Um estudo divulgado pela ONG ABRAPIA (Associação Brasileira Multiprofissional de Proteção à Infância e Adolescência) que analisou o comportamento de mais de 5.000 estudantes de 5° a 8° série, no estado do Rio de Janeiro, aponta que 12,6% dos estudantes foram autores de bullying e 16,9% foram alvos desses atos. Além desses dados o estudo também aponta que 40,5% dos estudantes admitiram envolvimento direto com atos de bullying.
Com o estudo da ABRAPIA percebe-se que os índices de violência entre crianças e adolescentes são altíssimos, porém, medidas que teriam que ser emergenciais para resolução desse tipo de problema social não acontecem com a rapidez que os índices se desenvolvem.
No Brasil existem algumas leis anti-bullying. Em 2010, por exemplo, foi sancionada por Yeda Crusius, governadora do Estado do Rio Grande do Sul, uma lei que prevê políticas públicas no combate ao bullying. O texto prevê palestras, debates e formação de professores, pais e alunos.
Infelizmente a violência infanto-juvenil é um problema mundial que acontece das mais diversas formas. Nos Estados Unidos são adotas medidas de combate por meio de leis e campanhas que circulam na mídia. Atualmente foi criada por artistas da Broadway, em forma de música, a campanha “Its gets better”, de combate ao bullying, que em português significa “Isso melhora”. Em forma de música eles dizem: "Quando você se sentir sozinho e o mundo se mostrar cheio de ódio, isso não é o fim".
As conseqüências de atos violentos infanto-juvenis atingem as vítimas fisicamente e emocionalmente, tendo em vista que há até mesmo casos em que as vítimas acabaram se suicidando ou entrando em quadros clínicos de depressão profunda. No estado americano Massachusetts, uma garota americana de 15 anos, Phoebe Prince, suicidou-se após sofrer perseguições de colegas da escola e ser ameaçada.
A ONU (Organização das Nações Unidas) apresentou ao mundo sugestões de combate a violência causada por crianças e adolescentes. Entre as ações sugeridas é apontado o estabelecimento de mecanismos eficazes para apresentação de queixas e investigação de coerção. Contudo, o combate a violência entre crianças e adolescentes deve ser tratado com maior abrangência propiciando atendimento e acompanhamento do Estado, pois, não bastam apenas leis, fazem-se necessárias ações imediativas no combate contra a violência entre crianças e adolescentes.
Contudo, conclui-se que atender, acompanhar e ajudar crianças que são vítimas de violência propiciará uma sociedade mais justa, igualitária e humana, tendo em vista que as crianças de hoje serão os adultos de amanhã.

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